Introdução
No atendimento em farmácia, queixas como o “bicho geográfico” são frequentes, especialmente em períodos de férias e regiões litorâneas, e exigem uma abordagem responsável, técnica e bem estruturada. A Larva Migrans Cutânea é causada por parasitas intestinais de cães e gatos que penetram na pele humana, desenhando túneis avermelhados. A aplicação correta dos protocolos de atendimento é fundamental para garantir a segurança do paciente, reduzir erros no balcão e fortalecer a atuação profissional.
Entendimento da Queixa no Atendimento em Farmácia
A contaminação ocorre pelo contato direto da pele com solo ou areia contaminados por fezes de animais. O sintoma mais característico é o desenho sinuoso e avermelhado na pele, que avança cerca de 1cm por dia (daí o nome “geográfico”), acompanhado de coceira intensa que piora à noite.
Protocolo de Atendimento Farmacêutico
O tratamento foca na eliminação do parasita por meio de agentes antiparasitários tópicos ou orais, conforme as opções de MIP descritas no protocolo:
Adulto
- Tratamento Tópico (1ª Opção): Tiabendazol 50mg/g (Ex: Thiabendazol, Foldan pomada/creme).
- Posologia: Aplicar uma fina camada sobre a lesão 2 a 3 vezes ao dia, durante 3 a 5 dias. Deve-se aplicar também um pouco além da “cabeça” do desenho (onde a larva está ativa).
- Tratamento Oral (Somente orientação): Albendazol 400mg.
- Posologia: 1 comprimido mastigável ou 10ml da suspensão, em dose única diária, por 3 dias consecutivos.
- Alívio da Coceira: Antialérgicos orais (Ex: Histamin, Allegra) podem ser utilizados como suporte.
Infantil (Acima de 2 anos)
- Tiabendazol Pomada: Uso local conforme descrito para adultos.
- Albendazol 400mg (Suspensão): 10ml em dose única por dia, durante 3 dias.
Limites de Atuação e Encaminhamento
Embora o tratamento de balcão seja eficaz, o encaminhamento médico é necessário se:
- Houver sinais de infecção secundária (pus, crostas amarelas ou dor local forte).
- As lesões forem muito numerosas ou espalhadas por grandes áreas do corpo.
- O paciente for gestante, lactante ou criança menor de 2 anos.
- Não houver melhora após o ciclo de tratamento recomendado.
Orientações ao Paciente
- Higiene: Evitar coçar para não causar feridas que podem infeccionar por bactérias.
- Prevenção: Orientar o uso de calçados ou chinelos em praias e parques onde circulam animais.
- Aplicação: A pomada de Tiabendazol deve ser bem friccionada sobre a “frente” da lesão para garantir que o fármaco atinja a larva.
Quadros e Alertas Educativos
🔹 Quadro de Atenção → O Tiabendazol pode causar irritação local em peles sensíveis. → O Albendazol é contraindicado durante a gravidez devido ao risco de teratogenia.
🔹 Checklist de Atendimento → A lesão parece um “caminho” ou um mapa? → A coceira aumenta muito no período da noite? → O paciente teve contato recente com areia ou terra?
🔹 Erros Comuns no Balcão → Indicar apenas pomadas de corticoide (que apenas aliviam a coceira, mas não matam a larva). → Não orientar o tempo correto de uso do Albendazol (3 dias para Larva Migrans, diferente da dose única para vermes, ou esquema de 5 dias).
🔹 Boas Práticas Farmacêuticas → Oferecer a venda adicional de um Sabonete Antisséptico para higienizar a área e prevenir infecções, ou um Repelente caso o paciente continue frequentando áreas de risco.
Conclusão
Atender bem na farmácia não é apenas conhecer medicamentos — é saber o que perguntar, como orientar e quando encaminhar, mesmo sob pressão e com fila no balcão. Para quem está começando, essa insegurança é comum e pode gerar medo de errar ou de passar informações incompletas.
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